2. Consequências, recompensa e dopamina
As consequências podem alterar a probabilidade de um comportamento ocorrer novamente em condições semelhantes. Um comportamento pode persistir porque produz acesso a algo desejado, alívio, atenção, distração, previsibilidade ou outra consequência relevante, mesmo quando há custos posteriores.
Na linguagem cotidiana, recompensa costuma significar algo agradável. Em estudos de aprendizagem, o conceito é mais amplo: resultados podem envolver valor, motivação, aproximação, expectativa, aprendizagem e experiência de prazer. Esses componentes são relacionados, mas não idênticos.
O papel da dopamina
Dizer que dopamina é simplesmente o “hormônio do prazer” é inadequado. No sistema nervoso central, ela atua principalmente como neurotransmissor e neuromodulador. Sistemas dopaminérgicos participam de processos como aprendizagem por reforço, motivação, vigor comportamental, seleção de ações e sinalização relacionada à diferença entre resultados esperados e obtidos.
Em determinados circuitos, alterações na atividade dopaminérgica podem refletir erros de predição de recompensa. Um resultado melhor do que o esperado pode produzir um sinal positivo de erro; um resultado pior pode estar associado a uma redução relativa da atividade em certos neurônios. Com aprendizagem, respostas podem se deslocar para pistas que predizem o resultado.
Esse modelo contribui para compreender algumas formas de aprendizagem por reforço, mas não explica sozinho todas as funções da dopamina.
Recompensa é um processo, não uma molécula. Motivação para buscar algo e prazer ao recebê-lo também não são processos idênticos. Um desejo intenso não basta para diagnosticar dependência.