1. Repetição, hábito e contexto
Quando alguém repete um comportamento que traz custos, é fácil atribuí-lo apenas à falta de disciplina ou de força de vontade. Essa explicação não considera pistas ambientais, consequências, aprendizagem, estado fisiológico, alternativas disponíveis, estresse, sono e contexto social.
Um comportamento repetido, por si só, não revela o caráter de uma pessoa. Para compreendê-lo, é preciso investigar o que costuma antecedê-lo e o que acontece depois.
O que é um hábito?
Na ciência do comportamento e da aprendizagem, hábito não significa apenas fazer algo muitas vezes. Com a repetição em contextos relativamente estáveis, uma resposta pode ficar mais associada a certas pistas e exigir menos avaliação deliberada a cada ocorrência.
Nem todo comportamento repetido é um hábito, e nem todo hábito é completamente automático. A expressão de um hábito depende do contexto, das associações aprendidas, das alternativas disponíveis, dos objetivos atuais e dos sistemas de controle.
Modelos de aprendizagem distinguem, de forma simplificada, o comportamento orientado a objetivos, mais sensível ao valor atual do resultado e à relação entre ação e consequência, e o comportamento habitual, mais associado a pistas aprendidas. Na vida real, esses modos de controle podem interagir e competir.
Circuitos e pistas
Os gânglios da base são um conjunto de núcleos subcorticais envolvidos, entre outras funções, na seleção e organização de ações, na aprendizagem por reforço, em habilidades e na formação de hábitos. Circuitos cortico-estriatais participam da integração entre contexto, ação e consequência. Não há um único “centro do hábito”.
Pistas que favorecem uma resposta podem ser externas, como lugar, horário, objeto, notificação ou presença de alguém, ou internas, como tédio, ansiedade, fadiga, fome e tensão. Os comportamentos ocorrem em contextos; por isso, compreendê-los exige observar também o ambiente e o estado da pessoa.