2. Autoimagem, memória e proteção
Uma crítica pode ser entendida como informação sobre um comportamento específico ou tornar-se uma conclusão global sobre identidade. “Errei nesta apresentação” descreve um evento; “sou incompetente” generaliza o resultado para o eu. Essa conclusão vai além do acontecimento.
Autoimagem e autoconceito são influenciados por várias fontes: experiências pessoais, relações, comparação social, desempenho, cultura, corpo, papéis sociais e interpretações. Não é necessário buscar uma cena única para explicar como uma pessoa se percebe. Novas experiências e informações também podem atualizar o autoconceito.
Memórias emocionalmente relevantes podem ficar mais acessíveis em contextos semelhantes. Uma situação atual de avaliação pode reativar lembranças de crítica ou exposição, sem que o presente seja igual ao passado. O sistema usa experiências anteriores, mas a interpretação precisa considerar as informações atuais.
Uma avaliação negativa num contexto também pode generalizar-se. Uma apresentação ruim pode aumentar a apreensão em futuras apresentações; uma crítica pública pode aumentar a vigilância diante de avaliações. Se essa generalização alcançar situações muito diferentes, elas podem passar a ser tratadas como se tivessem o mesmo significado.
Evitar exposição pode reduzir o desconforto imediatamente e, assim, favorecer nova evitação. O custo aparece quando isso limita oportunidades importantes ou impede a aquisição de novas habilidades. Perfeccionismo pode, em algumas pessoas, funcionar como tentativa de evitar erro ou crítica; não tem uma única origem, e padrões elevados não são necessariamente disfuncionais.