3. Contexto, memória e previsões
Uma situação atual não é processada como se a pessoa não tivesse história. Aprendizagens anteriores, memória, contexto, atenção e estado fisiológico podem influenciar a forma como as informações atuais são processadas.
Imagine duas pessoas diante de um cachorro que começa a latir. Uma cresceu convivendo com cães e teve experiências positivas. A outra sofreu um ataque. Embora alguns aspectos do estímulo sejam semelhantes, suas experiências e respostas podem diferir. A história anterior pode tornar certas interpretações mais prováveis, mas não determina inevitavelmente o que cada pessoa fará.
Processamento em duas direções
Parte da percepção pode ser compreendida pela interação entre dois sentidos de processamento:
- Bottom-up (de baixo para cima): sinais dos sistemas sensoriais contribuem para a construção da percepção.
- Top-down (de cima para baixo): conhecimento, contexto, objetivos, atenção e expectativas modulam o processamento dessas informações.
Assim, a percepção resulta da interação entre informações sensoriais e outros processos, em vez de depender apenas de uma direção entre mundo e cérebro.
Modelos de processamento preditivo
Uma família de modelos científicos, chamada processamento preditivo, propõe que o cérebro pode usar modelos internos para antecipar as causas prováveis dos sinais sensoriais. Nessa explicação, expectativas são comparadas com as informações recebidas; discrepâncias podem contribuir para atualizar o processamento ou o modelo. Essas discrepâncias são discutidas como erros de predição.
O processamento preditivo é uma abordagem teórica influente, com diferentes formulações e debates. Não deve ser reduzido à afirmação de que “o cérebro cria a realidade”. Há um mundo externo; a questão científica é como o sistema nervoso infere e interpreta informações sobre ele e sobre o próprio organismo.